Uma das brincadeiras mais
batidas da infância de qualquer criança era a do pique esconde. Não sei sua
origem, mas sei que até hoje devem haver algumas pessoas que continuam
escondidas por nunca terem sido encontradas.
O macete da
brincadeira era contar pulando, juntando ou renomeando os números. Algo tipo
um, dos, três, quatro, cincoseis, oito, novedez.
Com isso era grande a chance de você conseguir observar uma pessoa ainda
tentando se esconder no maior desespero de sua vida.
Nessa brincadeira as
leis da física eram quebradas e 4 ou 5 pessoas ocupavam o mesmo lugar no melhor
esconderijo possível. Você também podia mentir gritando "1, 2, 3 fulano
atrás da árvore!". Alguém sempre se entregava em uma dessas.
Correr com as havaianas
nas mãos te davam uma vantagem também. Enfim, na infância esconder era questão
de divertimento ou até de sobrevivência: "menino entra agora
senão"...
Freud estudou esse
lance de brincar, mas é claro que ele penetrou um pouco mais na função que o se
esconder exerce na vida do ser humano adulto.
Mas adultos não se
escondem, muito menos gostam de se sentirem esquecidos. Adultos às vezes
procuram um modo de sair da vida de alguém pelo simples fato de acharem que
suas presenças não são mais necessárias.
Daí de repente você é
descoberto e aquele medo de ter sido achado torna-se a alegria de ver um rosto
amigo. Um rosto que sorriu com você e que te fez sorrir um dia.
Eu esqueço de datas,
esqueço onde estão meus óculos, mas ainda não cheguei ao ponto de esquecer uma
pessoa que não só passou pela minha vida, mas que também fez parte dela!
É bom ser achado às
vezes! É bom saber que se alguém lembrou de você é porque essa pessoa tem um
carinho especial por você ou talvez porque você deva uma grana para ela.
No meu caso espero ter
sido a primeira opção. Eu sempre deixarei pistas de como ser achado e podem ter
certeza de que se a pessoa realmente fez parte da minha vida, ela saberá como
fazer para me achar. Pode até demorar alguns anos, mas o legal da brincadeira
não é ser o último a ser encontrado?
E assim, como no jogo
de pique esconde, nessa nossa vida de presenças e ausências, que momentos
como estes nos permitem voltar a ter a chance de poder suportar a angústia
de uma saudade e a alegria de um reencontro!

Adultos são prepotentes ao considerar sua presença necessária ou não na vida do outro, sem sequer levar em conta o outro... Mas é isso, a vida é feita de partidas, encontros e reencontros. E que os encontros e reencontros sejam mais presentes do que as partidas. Nunca saberemos quanto o outro ficará feliz em um desses reencontros até que aconteça. Sorte de quem pode reencontrar aquele ou viver aquilo que lhe faz bem!
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