Presença não precisa estar junto

Cada página de um livro é diferente da outra. Se não fosse assim, não teríamos uma história. Se não fosse assim, não teríamos vontade de virar a página e prosseguir. Há histórias boas. Há histórias ruins. Não há como saber a diferença sem antes começar a ler. Capas enganam e muito. Nossas vidas são histórias com capítulos bons e capítulos ruins. Existem personagens bons, ruins, traiçoeiros, apaixonados e loucos. Às vezes apaixonados podem parecer loucos, como alguém dirigir horas para conhecer uma outra pessoa. Ele caberia em um psicopata talvez, na visão de um negativista. Tudo depende de quem o interpreta. Talvez seja só um cara que já viveu bastante e quer um final digno para sua história. Combateu seu bom combate. Ou talvez ele seja um leitor também e não queira ser o herói que salva a princesa, mas sim o ex-herói que precisa de uma princesa. Nas histórias há também os canastrões, esses não enganam ninguém. Até podem ter uma boa lábia, mas sempre tropeçam no texto e se entregam. Há os esperançosos, os pacientes e os românticos. Geralmente estes são impulsivos. Não pensam duas vezes em cruzar um país só para ver se aquele sorriso lindo daquela foto existe. Hoje lemos mensagens curtas que mal conseguem expressar o que se passa dentro do coração de uma pessoa. Por isso a importância de um olhar, do segurar nas mãos e de pedir um abraço e um beijo no rosto. Se a história é boa você pode ler direto sem parar ou pode marcar a página e voltar a ler 6 anos depois. Eu li uma história um dia. Uma história de uma pessoa que tem a sua história. Por este motivo tive todo o cuidado ao virar cada página. Não podia perder nenhum detalhe para evitar que cometesse algum erro que fizesse esse livro se fechar para mim. Não queria ter que fechá-lo, nem ao menos marcar a página. Queria uma história que demorasse, que durasse e que servisse para ser contada várias vezes. Em alguns dias lendo parte dessa história passei horas relembrando e desejando poder voltar a ler o mais rápido possível, torcendo para que a personagem principal me deixasse fazer parte daquela história. Ainda bem que não fiz, seria apenas uma participação especial como todas as outras, aliás não mereceria minha participação especial, pois não tenho tempo para ser figurante na história de ninguém. Mas como disse, capas enganam e ainda bem que basta uma folheada para vermos que algumas linhas não passam de rascunhos e que as imagens são só sombras de uma personagem que se revela tão importante e relevante quanto se jogar sal no mar...




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