O cão pastor

Embora um rebanho denote a ideia de uma mesma espécie, é preciso saber que nem todas as espécies são compostas por indivíduos unidos por um mesmo vínculo. Se todos no rebanho agissem da mesma maneira, seria fácil acabar com todos os seres pertencentes a esse círculo. Bastava um animal, um nível acima na cadeia alimentar, observar a fragilidade do grupo para poder dar cabo de todo ele. É por isso que às vezes acontece de existir um indivíduo que se destaca de uma maneira diferente dentro de um grupo. Esse indivíduo certamente causará estranheza nos demais e terá grande chance de ser temido pelos outros. Todos o temerão e o tratarão de modo desigual, beirando o desrespeito e inferioridade. Talvez até será chamado de cachorro louco por ladrar para o nada, a espera de uma matilha que nunca parece existir. Mas esse animal diferente será aquele capaz de defender o seu grupo. Defender de uma maneira tão feroz quanto a de um inimigo. Dois iguais em lados opostos. Os mesmos instintos herdados usados para fins diferentes. Ambos odiados pelos demais. E talvez por isso a matilha nunca venha. E no fim, serão esquecidos e considerados inúteis na maior parte da vida. E aquele igual, que permite-se descer até a parte mais sombria de sua existência, será aquele que permitirá que os demais vejam a luz. Seu sacrifício será a benção dos iguais. E assim, será a razão de sua existência, tornar-se um mal necessário. Uma presença despercebida em um mundo onde a maldade paira em meio a bilhões de pessoas desapercebidas...


Nenhum comentário:

Postar um comentário