Anhim airotsih

Morrer não é assim tão difícil quanto se parece. Pelo menos para quem já morreu. Sem preocupações, sem sofrimentos ou perturbações.
O difícil é o caminho até lá. Uma vida longa que terminará possivelmente em uma velhice sofrida. Talvez esquecido ou se esquecendo das coisas pelas quais passei.
Feliz é aquele que pode dividir seus últimos anos com alguém que te acompanhou boa parte de sua vida. Dividindo alegrias, somando descobertas ou apenas confortando um ao outro.
Alguns ainda conseguem ir além e perpetuar um pouco de si. Pelo menos fornecer metade de um novo indivíduo que com a outra metade de outra pessoa formarão um novo ser. Uma mistura capaz de trazer para sua vida a maior alegria que dizem existir nesse mundo.
Coisas dessas que aprendemos na escola. Assim como certas mudanças que acompanham nossa adolescência. Um beijo. Uma primeira decepção. As primeiras responsabilidades.
Responsabilidades essas que vão muito além daqueles tempos em que a única preocupação era se esconder de alguém que contava até 10. Sonhos que na infância pareciam tão palpáveis quanto segurar as mãos de nossos pais.
E pensar que tudo começou com um olhar entre eles. Eles que seguiram fielmente aquela mesma cartilha que grande parte de nós seguimos, alguns com alguns deslizes.
E assim volto a ser apenas um número. 46. Um número que volta a ser dividido e se torna 23. Dois 23 que em algum momento deste texto irão se reencontrar.
E o que acontece agora? Não sei, ainda não passo de dois números que só saberão contar essa história quando me encontrarem no começo deste texto...

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